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Revista

Sábado

Publicado em: 15/08/2010


O sol bate na terra e a multidão na praia contempla o verão. Eu, do meu quarto, abro a gaiola  da  existência e num vôo livre sobre as matas dilacerante descanso por alguns minutos no ninho de artista da liberdade. Porém, sei que o alçapão irá desarmar na segunda-feira. Tento de fora contestar a volta para a gaiola, mas, é inútil, pois o herói do sábado não resiste à tentação do alimento colocado da segunda.

E neste passeio, busco transformar a realidade em casais da ironia. O divórcio da lua com sol é tão brilhante que os advogados silenciam perante tanta beleza. É mesmo sábado, dia de festa no meu coração. Percebo então que os mendigos saem  das praças pródigas. Os oprimidos da rotina se transformam em poderosos. Os ladrões do sol , em prisioneiros. Os amantes da lua  em milionários. As fantasias desfilam nas roupas dos jovens que buscam com elas adormecer a realidade.

“Tudo é divino e maravilhoso’’.

O engenheiro abandona as equações. O médico o bisturi. O lavrador a enxada. O advogado as leis. Todos entram no navio da calmaria e mergulham nos espaços da felicidade. A glória é soltar as emoções. Colocar  no bar as peripécias existenciais. Compreender o amor nas sutilezas. Delirar com as músicas que falam aos corações vazios.

O sábado é   o dia em que as chamas da rotina são apagadas pelos bombeiros reais.

O sábado é o dia em que os homens armam suas fantasias e jogam na vastidão de um mar bravio.

O sábado é a madrugada silenciosa de uma multidão efervescente.  O sábado é o deslize da semana e a complementação do eu sufocado pelos bastidores vencido da rotina.

O sábado é a segunda morta. É a felicidade viva. É a paixão construída. É ENFIM REALIDADE ADORMECIDA

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